- Boa tarde senhor! Poderia chamar a Lia para mim? – disse o garoto.
- E você, é? – perguntou o homem uniformizado.
- Andino! Diga a ela que é o Andino. – respondeu o garoto.
O homem balançou a cabeça em sinal positivo e saiu. Eu fiquei ali no portão esperando. O coração acelerado, as mãos tremendo e a ansiedade me sufocando. Nem sei como havia conseguido manter a calma perto do porteiro. Esperei por apenas 5 minutos. Mas pareceu uma eternidade.
Assim que o porteiro voltou, já chegou balançando a cabeça negativamente.
- Sinto muito rapaz, ela está em aula e não pode sair. – ele disse.
Eu baixei a cabeça, desolado.
- Mas ela perguntou se você poderia esperar até a hora do intervalo. – o porteiro acrescentou.
Eu levantei a cabeça, com um sorriso tímido no rosto, e fiz sinal afirmativo.
- Então, é só esperar ali, oh! – o porteiro disse, abrindo o portão e me indicando uns bancos no pátio, que ficavam a direita da entrada.
- Obrigado senhor! – eu disse, enquanto me dirigia para a direção indicada.
Fiquei aguardando nos bancos. O tempo parecia não passar. Eu olhava ansioso de um lado a outro, mãos tremendo e o coração a mil. Mesmo com as mãos tremulas, eu não soltava a rosa que trazia comigo e tão pouco o bilhete. Era por causa disso que eu estava ali, esperando a Lia. E enquanto me perdi em pensamentos a lembrar do sorriso dela, fui tragado de volta para a realidade pelo barulho do sinal, que provavelmente anunciava o intervalo.
À vi saindo do corredor. Levantei ansioso.
E agora, o que iria dizer? Havia esperado tanto por esse momento. Quando dei por mim de novo, ela já estava parada a minha frente, com seu sorriso a me oferecer.
- Oi, Andino! – ela me cumprimentou.
Por segundos que pareceram horas, fiquei sem fala. Fui tomado pelo nervosismo e as palavras simplesmente fugiam da minha língua, me deixando sem a menor reação. Mas eu respirei fundo e consegui falar.
- Oi, Lia! – e ainda sem jeito, consegui esboçar um sorriso.
- O porteiro havia dito que você queria falar comigo. Em que posso ajudá-lo? – ela disse com a voz quase inaudível e aquele jeitinho meigo dela.
- É... – eu comecei meio sem jeito, escondendo a rosa entre as mãos, posicionando-as nas minhas costas. – não vim pedir ajuda. Eu vim falar algo muito importante com você. Pelo menos para mim.
Ela inclinou levemente a cabeça, como uma criança curiosa, provavelmente tentando entender as minhas intenções. Mas continuou calada.
- Vim lhe trazer isto! – eu estendi a rosa e o bilheta a minha frente.
Lia corou na hora. Suas bochechas ficaram rosadas, como sempre acontecia quando ela ficava sem jeito.
- São para mim? – ela perguntou, ainda incrédula.
- Sim! – disse.
Ela pegou a rosa e o bilhete, as bochechas ainda rosadas, demonstrando seu desconcerto. Em silêncio, ela leu o bilhete. Eu não havia escrito muito coisa, por isso, logo ela ergueu a cabeça me direcionando um olhar ainda mais desconcertado.
Pronto, estava feito. Agora ela sabia de tudo. Meu coração gelou. O que ela iria dizer? Era a pergunta que martelava em minha mente. Mas agora não tinha mais volta.
- Andino, é muito bonito o que você escreveu. – ela disse, quebrando o silêncio. – Mas... – ela hesitou. Os olhos demonstrando ainda certo desconcerto – me desculpe. Somos apenas amigos.
Meu coração ficou em cacos naquela hora. E provavelmente isso estava transparente em meu rosto, porque, ela tocou de leve minhas mãos e tocou meu rosto, colocando nossos olhos um de frente para o outro.
- Não fique assim. Gostei muito de todas as cartas que você mandou. Nunca imaginaria que era você. – ela disse, e aquilo me alegrou por um instante. Mas ela continuou. – Mas te vejo apenas como amigo. Você é um doce de pessoa, gentil, atencioso, carinhoso, inteligente, esforçado, mas... somos apenas amigos. – ela disse, com um sorriso sincero, meio tímido.
- Tudo bem. - Eu sorri de volta. Não fui exatamente sincero, mas não podia fazer mais nada. Havia perdido meu chão e meus sentimentos estavam em pedaços. Caquinhos bem miúdos, que levariam um século para serem juntados novamente.
- Pode deixar, não vou mais importuná-la com isso. – eu disse, ainda sustentando o sorriso, falso, no rosto.
Aproximei-me dela, dei-lhe um beijo na testa e me afastei novamente.
- Acho que é tchau, então, né? – eu disse.
O Sinal do fim do intervalo soou e foi à afirmação da nossa despedida. Não esperei que ela dissesse mais nada. Virei e fui em direção ao portão. Caminhei sem olhar para trás. Só depois de já estar a uma boa distância do cursinho onde ela estudava, eu parei. E só então, eu levei minha mão ao meu rosto, enxugando a lagrima que havia tomado coragem para sair e escorregava lentamente pelas minhas bochechas.
Informação e diversão reunidos em um só lugar. Este é um blog onde irei contar histórias (ficcionais e veridicas) , dividir experiências e apresentar alguns de meus trabalhos na área gráfica. Também usarei esse espaço para divulgar eventos e o que mais eu achar interessante.
domingo, 2 de outubro de 2011
sábado, 1 de outubro de 2011
PAIS E FILHOS - Silêncio
O garoto caminhava lentamente. Não havia pressa nem mesmo em sua expressão. Seu destino não parecia ser o que ele queria. Mas ele sabia que, de alguma forma, teria que chegar. Era um menino magricela, mas não abaixo do peso. A cabeça era emoldurada por cabelos negros, cortados a máquina. Um garoto comum, porém, diferente pela dor que carregava no coração. A blusa da escola estava suja em várias partes, o cadarço do pé esquerdo do quichute estava desamarrado e ele trazia a mochila pendurada em uma das mãos.
Não havia sorriso em seu rosto.
Ele parou diante de um muro marrom com um portão de madeira. Por detrás deles, uma casa de dois andares se erguia. O menino retirou do pescoço um cordão que trazia três chaves. Escolheu uma delas e encaixou no portão. A tranca destravou com dois cliques. O garoto passou pelo portão e subiu as escadas que levavam ao segundo andar da casa. Ali, havia apenas uma grande varanda e duas portas, que eram os únicos cômodos daquela parte da casa. O garoto parou, suspirou fundo, e olhou ao redor. A paisagem que se estendia era a de várias casas humildes. A única coisa que quebrava a continuidade da visão era a grande igreja que se erguia praticamente a frente de sua casa. Mas nada daquilo o importava. Ele sacudiu a cabeça e enfiou a chave na porta da sua esquerda. Novamente dois cliques e, a passagem estava liberada.
Era um cômodo pequeno, provavelmente seis metros quadrados. Não havia luxo ali. As únicas coisas que preenchiam o espaço eram: uma cama de madeira polida ao fundo, um guarda-roupa na parede da direita, uma mesa com um computador ao lado da janela na parede da esquerda, uma estante com alguns livros, ao lado da porta, e um giro visor sustentando uma TV de 14” logo acima dela. O menino largou a mochila na cadeira e se jogou na cama, com um desanimo estampado no rosto. O mesmo que parecia ter lhe acompanhado o caminho inteiro. De forma despreocupada, ele levou a mão à boca, tocando o pequeno corte no canto dos lábios.
- Por que todos me odeiam? – ele falou consigo mesmo.
Virou de lado na cama, postando-se de frente para a parede, que era o fundo do quarto. Pareceu não se sentir a vontade com a posição, e se mexeu novamente, ficando de bruços e enfiando a cara no travesseiro. Mas sua tentativa de “fuga” foi interrompida quando alguém bateu a porta.
- Posso entrar? – perguntou uma voz de mulher.
O garoto se virou novamente e dessa vez ficou de barriga para cima, olhando para o teto. Seus olhos estavam vermelhos, o rosto marcado próximo aos olhos e o travesseiro mostrava sinal de umidade. Depois de um tempo ele respondeu.
- Sim. Pode entrar mãe.
A porta abriu praticamente sem nenhum barulho. A senhora olhou para o menino deitado na cama e, hesitante, se aproximou. Retirou a mochila de cima da cadeira e a colocou pendurada no encosto da mesma e se sentou.
O garoto ainda permanecia em silêncio.
Ainda demonstrando hesitação, a senhora fez um gesto para tocar o menino, mas parou a poucos centímetros da testa dele. Porém, não se deteve ali, completou o gesto e alisou delicadamente a testa do filho. Que silenciosamente deixou uma lágrima escorrer pelo canto do olho. Mas permaneceu imóvel e não disse nenhuma palavra. A mãe observou o menino, reparando a ferida no canto da boca, a blusa suja de poeira e um pouco de sangue e, o olhar triste e profundo no rosto do filho.
- Quer conversar? – ela perguntou. A voz triste, provavelmente pelo estado em que o filho se encontrava.
O garoto continuou sem dizer nada. Mas levantou da cama calmamente e ficou sentado. Sua mãe também não disse mais nada, apenas esperou. Sustentando um olhar calmo e terno para ele. Observando os olhos vermelhos do filho.
Do nada, o menino enlaçou a mãe pela cintura e se entregou as lágrimas que ainda lutavam para sair.
A mãe apenas pousou os braços sobre o menino, acolhendo-o com seu calor. E eles ficaram em silêncio, juntos. Não havia uma só palavra a ser dita. O menino era assim: fechado. Falava mais com o corpo do que com palavras.
Não havia sorriso em seu rosto.
Ele parou diante de um muro marrom com um portão de madeira. Por detrás deles, uma casa de dois andares se erguia. O menino retirou do pescoço um cordão que trazia três chaves. Escolheu uma delas e encaixou no portão. A tranca destravou com dois cliques. O garoto passou pelo portão e subiu as escadas que levavam ao segundo andar da casa. Ali, havia apenas uma grande varanda e duas portas, que eram os únicos cômodos daquela parte da casa. O garoto parou, suspirou fundo, e olhou ao redor. A paisagem que se estendia era a de várias casas humildes. A única coisa que quebrava a continuidade da visão era a grande igreja que se erguia praticamente a frente de sua casa. Mas nada daquilo o importava. Ele sacudiu a cabeça e enfiou a chave na porta da sua esquerda. Novamente dois cliques e, a passagem estava liberada.
Era um cômodo pequeno, provavelmente seis metros quadrados. Não havia luxo ali. As únicas coisas que preenchiam o espaço eram: uma cama de madeira polida ao fundo, um guarda-roupa na parede da direita, uma mesa com um computador ao lado da janela na parede da esquerda, uma estante com alguns livros, ao lado da porta, e um giro visor sustentando uma TV de 14” logo acima dela. O menino largou a mochila na cadeira e se jogou na cama, com um desanimo estampado no rosto. O mesmo que parecia ter lhe acompanhado o caminho inteiro. De forma despreocupada, ele levou a mão à boca, tocando o pequeno corte no canto dos lábios.
- Por que todos me odeiam? – ele falou consigo mesmo.
Virou de lado na cama, postando-se de frente para a parede, que era o fundo do quarto. Pareceu não se sentir a vontade com a posição, e se mexeu novamente, ficando de bruços e enfiando a cara no travesseiro. Mas sua tentativa de “fuga” foi interrompida quando alguém bateu a porta.
- Posso entrar? – perguntou uma voz de mulher.
O garoto se virou novamente e dessa vez ficou de barriga para cima, olhando para o teto. Seus olhos estavam vermelhos, o rosto marcado próximo aos olhos e o travesseiro mostrava sinal de umidade. Depois de um tempo ele respondeu.
- Sim. Pode entrar mãe.
A porta abriu praticamente sem nenhum barulho. A senhora olhou para o menino deitado na cama e, hesitante, se aproximou. Retirou a mochila de cima da cadeira e a colocou pendurada no encosto da mesma e se sentou.
O garoto ainda permanecia em silêncio.
Ainda demonstrando hesitação, a senhora fez um gesto para tocar o menino, mas parou a poucos centímetros da testa dele. Porém, não se deteve ali, completou o gesto e alisou delicadamente a testa do filho. Que silenciosamente deixou uma lágrima escorrer pelo canto do olho. Mas permaneceu imóvel e não disse nenhuma palavra. A mãe observou o menino, reparando a ferida no canto da boca, a blusa suja de poeira e um pouco de sangue e, o olhar triste e profundo no rosto do filho.
- Quer conversar? – ela perguntou. A voz triste, provavelmente pelo estado em que o filho se encontrava.
O garoto continuou sem dizer nada. Mas levantou da cama calmamente e ficou sentado. Sua mãe também não disse mais nada, apenas esperou. Sustentando um olhar calmo e terno para ele. Observando os olhos vermelhos do filho.
Do nada, o menino enlaçou a mãe pela cintura e se entregou as lágrimas que ainda lutavam para sair.
A mãe apenas pousou os braços sobre o menino, acolhendo-o com seu calor. E eles ficaram em silêncio, juntos. Não havia uma só palavra a ser dita. O menino era assim: fechado. Falava mais com o corpo do que com palavras.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
AMOR

As ondas chegam brandas à areia da praia, enquanto meu olhar vagueia perdido no horizonte, navegando entre as nuvens e os pássaros que decoram a parede azul cintilada pelo dourado do astro rei.
O vento chega trazendo a lembrança do seu perfume, fazendo-me recordar o cheiro suave dos seus cabelos, sempre sedosos. Lembrando-me da sua pele de seda, macia ao toque das minhas mãos.
De repente me surpreendo. Tudo fica escuro a minha frente. Sinto o ar quente tocar meu pescoço, e um cheiro doce de melancia chegar sem avisar. Toco meu rosto e sinto as mãos calorosas que me roubam a luz do sol que vem do horizonte. Com calma e suavidade, tateio as mãos até percorrer o braço, procurando identificar seu dono.
Sua pele macia a denuncia.
Eu sorrio.
Sinto meu corpo ser puxado para trás e me deito na areia. As mãos saem da frente dos meus olhos, revelando um sorriso sincero e caloroso.
Toco seu rosto e me ergo oferecendo um beijo. Toco seus lábios que respondem aos meus. Nada mais importa.
Ao longe, apenas o barulho das ondas continua, preenchendo o ar, além do som de nossos próprios corações, que palpitam, denunciando a emoção do nosso amor.
Não é preciso uma só palavra para dizer o que sinto.
Nossos corpos sabem, através da linguagem que nunca morre.
Por isso, te amo, hoje e sempre.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Sete Selos

A autora Luiza Salazar lançou pela ediora UnderWorld, o Livro Sete Selos.
Uma narrativa que conta a história de Lara Carver, uma agente de campo, que trabalha para a Agência. Uma organização que combate e controla fenômenos sobrenaturais.
A agente Carver enfrenta um dos maiores desafios para a Agência e para ela mesma, quando um estranho fenômeno começa a destruir locais sagrados em Paris e um Padre é morto.
Durante as investigações, descobre que estão enfrentando uma entidade antiga e com poderes acima de suas capaciades mortais. Essa informação é trazida graças a colabração de Lucius, um demônio, que ajuda no caso de livre e espontanea vontade. O que não deixa Lara nada a vontade, pois trata-se do mesmo demônio que matou seu pai quando ela era criança. Mas como o caso em questão é grave, a agente deixa de lado as picuinhas pessoais, passando por cima de sua ferida e se coloca a trabalhar ao lado de seu antigo inimigo. Além de Lucios, Lara recebe a ajuda de Jason. Um ex-agente e "amigo".
Durante a aventura, muitas surpresas acontecem e coisas que Lara jamais imaginava se revelam a sua volta.
Sete Selos é um livro empolgante e muito bem narrado.
A trama é bem amarrada e autora revela pouco a pouco os segredos que a história guarda, sem gerar expectativas desnecesárias e prolongadas. Ela nos leva através de um fascinante (e ao mesmo tempo comum) mundo de anjos e demônios. um mundo a beira do nosso, do qual não temos a menor consciência.
Obs.: Só não gostei do final. Mas é um ponto de vista muito pessoal, MEU, e isso não interfere em nada na qualidade da história.
Recomendo.
Uma boa semana para Todos!!!
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
REAPRENDENDO
Como a maioria bem sabe, eu moro sozinho. E para a idade que tenho, bem, não pareço tê-la mentalmente. Pois é. Trinta anos não combina comigo.
Hoje eu estava no PC, vivendo mais um dia da minha vida. Até que, alguém me chamou.
“ANDERSON!!!” Na verdade, gritaram, né. Pois eu moro no sexto andar. Sai da frente do computador e fui direto para a janela da cozinha pra constatar se realmente era a mim que estavam chamando. Afinal, vivem gritando uns aos outros nesse lugar!
Chegando à janela, coloquei o carão pra fora e confirmei. Havia dois colegas no pátio me chamando. Chamei a atenção deles e disse:
- Peraí! Já vou descer! Só um minuto.
Feito isso, voltei pro quarto, mergulhei dentro da minha blusa preta, que trazia a Rei Ayanami ilustrada em sua lateral direita, coloquei os celulares no bolso, a carteira e desci.
Passei o resto do tempo jogando conversa fora. Não falamos sobre nada de importante. E ainda sim, o frio não nos incomodava. Riamos de tudo. Principalmente das piadas (que não deveriam ter graça). Mas era inevitável não rir. Imagine você, seu colega vira e fala:
- Você sabe por que na áfrica eles não assistem o globo esperte? – a principio, não parece nada de mais, né?
Ai você responde: - Sei não! Por que eles não assistem? – você pergunta.
Seu colega te olha com aquela cara “como assim você não sabe?” Ai a ficha cai. Piada complicada essa, não? Mas tudo bem. É bom rir às vezes. Mesmo que de algo desse tipo.
Continuamos ali, rindo até dizer chega de várias bobeiras. Até que tiveram a grande idéia de ir pra quadra. Não é lá grande coisa, mas quebra um galho. E nesse caso, quase me ajudou a quebrar o braço. Mas valeu a pena.
Chegamos lá, havia um conhecido dos meus colegas andando de skat. Eu não resisti e pedi pra tentar. Há muito não o fazia, mas senti uma vontade sincera de ousar. E segui adiante.
O rapaz me emprestou o skat e, timidamente eu subi na prancha sobre quatro rodas. Fiquei um temo apenas balançando de um lado pro outro sem muito sucesso.
Acho que o medo não me deixava sair do lugar. Todos estavam me olhando, provavelmente esperando alguma coisa. Eu retribuí o olhar, meio tenso. Tomei um pouco de coragem e tentei realmente andar com o skat. Nessa hora, as rodas entram em atrito com o cimento, deram um sinal maior de vida, mas não fiz mais que três movimentos. Depois disso, perdi o equilíbrio e fui ao chão. Caindo com um baque surdo.
Aonde caí, eu fiquei.
Demorei um tempo, estirado no chão, rindo de mim mesmo. Mas feliz pelo prazer que o simples momento me causou. E pensei:
“É incrível como, às vezes, duas horas do nosso dia, entre pessoas simples, valem mais do que todo resto. Que é preenchido pela tensão e preocupação das responsabilidades do dia-a-dia.”
Naquele momento, me lembrei de como eu me divertia em tempos que hoje fazem apenas parte da gaveta dentro do meu cérebro, chamada: memória.
Hoje eu estava no PC, vivendo mais um dia da minha vida. Até que, alguém me chamou.
“ANDERSON!!!” Na verdade, gritaram, né. Pois eu moro no sexto andar. Sai da frente do computador e fui direto para a janela da cozinha pra constatar se realmente era a mim que estavam chamando. Afinal, vivem gritando uns aos outros nesse lugar!
Chegando à janela, coloquei o carão pra fora e confirmei. Havia dois colegas no pátio me chamando. Chamei a atenção deles e disse:
- Peraí! Já vou descer! Só um minuto.
Feito isso, voltei pro quarto, mergulhei dentro da minha blusa preta, que trazia a Rei Ayanami ilustrada em sua lateral direita, coloquei os celulares no bolso, a carteira e desci.
Passei o resto do tempo jogando conversa fora. Não falamos sobre nada de importante. E ainda sim, o frio não nos incomodava. Riamos de tudo. Principalmente das piadas (que não deveriam ter graça). Mas era inevitável não rir. Imagine você, seu colega vira e fala:
- Você sabe por que na áfrica eles não assistem o globo esperte? – a principio, não parece nada de mais, né?
Ai você responde: - Sei não! Por que eles não assistem? – você pergunta.
Seu colega te olha com aquela cara “como assim você não sabe?” Ai a ficha cai. Piada complicada essa, não? Mas tudo bem. É bom rir às vezes. Mesmo que de algo desse tipo.
Continuamos ali, rindo até dizer chega de várias bobeiras. Até que tiveram a grande idéia de ir pra quadra. Não é lá grande coisa, mas quebra um galho. E nesse caso, quase me ajudou a quebrar o braço. Mas valeu a pena.
Chegamos lá, havia um conhecido dos meus colegas andando de skat. Eu não resisti e pedi pra tentar. Há muito não o fazia, mas senti uma vontade sincera de ousar. E segui adiante.
O rapaz me emprestou o skat e, timidamente eu subi na prancha sobre quatro rodas. Fiquei um temo apenas balançando de um lado pro outro sem muito sucesso.
Acho que o medo não me deixava sair do lugar. Todos estavam me olhando, provavelmente esperando alguma coisa. Eu retribuí o olhar, meio tenso. Tomei um pouco de coragem e tentei realmente andar com o skat. Nessa hora, as rodas entram em atrito com o cimento, deram um sinal maior de vida, mas não fiz mais que três movimentos. Depois disso, perdi o equilíbrio e fui ao chão. Caindo com um baque surdo.
Aonde caí, eu fiquei.
Demorei um tempo, estirado no chão, rindo de mim mesmo. Mas feliz pelo prazer que o simples momento me causou. E pensei:
“É incrível como, às vezes, duas horas do nosso dia, entre pessoas simples, valem mais do que todo resto. Que é preenchido pela tensão e preocupação das responsabilidades do dia-a-dia.”
Naquele momento, me lembrei de como eu me divertia em tempos que hoje fazem apenas parte da gaveta dentro do meu cérebro, chamada: memória.
MADRUGADA
A mesa estava abarrotada de coisas.
Havia papel colado nas bordas com anotações diversas, agendas empilhadas, canetas dentro de um recipiente circular prateado e uma prancheta com um papel branco preso pela presilha.
Eu olhava a folha compenetrado, me perdendo em sua brancura. Porém, nada me vinha à cabeça.
O relógio marcava 03:00 da manhã no display. Com isso, me dei conta de que já estava naquela empreitada a mais de cinco horas. Aquele tempo todo e nenhum progresso. Sacudi a cabeça espantando o sono que queria começar a disputar espaço em minha mente, forçando minhas pálpebras, convidando-as a se fechar.
Descruzei os braços, peguei a lapiseira que estava entre as canetas e foquei novamente no papel. Estava decidido: ia conseguir pelo menos um esboço. Um rabisco qualquer que me ajudasse a não ter perdido aquelas cinco horas em vão.
Dei uma boa olhada no cômodo onde estava.
A minha direita, a cama se mostrava solitária, me convidando a fazer-lhe companhia. Ao fundo, minha estante com meus livros e quadrinhos. Havia muitos títulos. Todos bem distribuídos e organizados. À esquerda, meu guarda-roupa ocupava oitenta por cento da parede branca do quarto, deixando apenas um espaço para a janela, que dava para a rua. Um adesivo dos X-men decorava a porta do meio do guarda-roupa, entre as outras duas que possuíam um espelho.
Voltei novamente a olhar para a folha em branco sobre a mesa. Agora eu sabia o que ia esboçar. Mas quando me inclinei a fazê-lo, o telefone tocou. Por um instante fiquei furioso. Justo na hora em que consigo inspiração o telefone tinha que dar sinal de vida? Mas tudo bem. Após o terceiro toque eu atendi.
- Alô! – eu disse.
- Serei breve. – disse a voz do outro lado. E eu fiquei meio perdido com a informação. O que aquilo queria dizer? Mas antes que eu dissesse algo, a pessoa do outro lado da linha continuou. – Você corre perigo. Saia daí, agora! – depois disso o telefone ficou mudo.
Seria isso um trote? Não sei. Mas por algum motivo eu senti um frio percorrer a minha espinha e, de repente, o silêncio do quarto tornou-se sufocante. Até o ar ficou abafado sem a menor explicação.
Olhei agitado de um lado a outro e gelei quando ouvi um barulho que parecia vir do corredor, do outro lado da porta do meu quarto. Pareciam passos e eram pesados. Pois a madeira do chão rangia anunciando a aproximação de quem quer que fosse.
Eu não sabia o que fazer. Pelo visto, não havia sido um trote. Mas quem poderia ser? E o que queria com um pobre designer free-lance?
...
Havia papel colado nas bordas com anotações diversas, agendas empilhadas, canetas dentro de um recipiente circular prateado e uma prancheta com um papel branco preso pela presilha.
Eu olhava a folha compenetrado, me perdendo em sua brancura. Porém, nada me vinha à cabeça.
O relógio marcava 03:00 da manhã no display. Com isso, me dei conta de que já estava naquela empreitada a mais de cinco horas. Aquele tempo todo e nenhum progresso. Sacudi a cabeça espantando o sono que queria começar a disputar espaço em minha mente, forçando minhas pálpebras, convidando-as a se fechar.
Descruzei os braços, peguei a lapiseira que estava entre as canetas e foquei novamente no papel. Estava decidido: ia conseguir pelo menos um esboço. Um rabisco qualquer que me ajudasse a não ter perdido aquelas cinco horas em vão.
Dei uma boa olhada no cômodo onde estava.
A minha direita, a cama se mostrava solitária, me convidando a fazer-lhe companhia. Ao fundo, minha estante com meus livros e quadrinhos. Havia muitos títulos. Todos bem distribuídos e organizados. À esquerda, meu guarda-roupa ocupava oitenta por cento da parede branca do quarto, deixando apenas um espaço para a janela, que dava para a rua. Um adesivo dos X-men decorava a porta do meio do guarda-roupa, entre as outras duas que possuíam um espelho.
Voltei novamente a olhar para a folha em branco sobre a mesa. Agora eu sabia o que ia esboçar. Mas quando me inclinei a fazê-lo, o telefone tocou. Por um instante fiquei furioso. Justo na hora em que consigo inspiração o telefone tinha que dar sinal de vida? Mas tudo bem. Após o terceiro toque eu atendi.
- Alô! – eu disse.
- Serei breve. – disse a voz do outro lado. E eu fiquei meio perdido com a informação. O que aquilo queria dizer? Mas antes que eu dissesse algo, a pessoa do outro lado da linha continuou. – Você corre perigo. Saia daí, agora! – depois disso o telefone ficou mudo.
Seria isso um trote? Não sei. Mas por algum motivo eu senti um frio percorrer a minha espinha e, de repente, o silêncio do quarto tornou-se sufocante. Até o ar ficou abafado sem a menor explicação.
Olhei agitado de um lado a outro e gelei quando ouvi um barulho que parecia vir do corredor, do outro lado da porta do meu quarto. Pareciam passos e eram pesados. Pois a madeira do chão rangia anunciando a aproximação de quem quer que fosse.
Eu não sabia o que fazer. Pelo visto, não havia sido um trote. Mas quem poderia ser? E o que queria com um pobre designer free-lance?
...
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
ENCONTRO NA ESCURIDÃO
ESCURIDÃO.
Eu não podia ver um palmo a minha frente. O breu total era incomum. Não conseguia identificar que lugar era aquele. Não havia cheiro, barulho, nada preenchia o ambiente além da total escuridão.
Pouco a pouco fui tomado por uma angustia que crescia gradativamente. Ela tentava ganhar o status de pânico. Eu procurei controlá-la o máximo que pude. Mas ela lutava bravamente. Impondo a mesma intensidade que eu, porém, de maneira contrária. Lançando-me no abismo do desespero com tanta força, que eu não sabia mais se era capaz de suportar.
Olhei em todas as direções. Ansioso, nervoso, afoito.
Nada.
Aquilo era surreal. E o tempo parecia estar congelado. Eu não tinha a menor noção de onde estava, ou mesmo, de que horas eram e quanto tempo havia passado.
De repente, ouvi um barulho tímido, porém, acelerado se anunciar. Nervoso, olhei novamente em todas as direções. Nada.
Fechei os olhos para fugir dos engodos dos sentidos. Percebi que era meu coração que estava um pouco agitado. Apesar disso, mantive os olhos fechados mais algum tempo. As batidas voltaram ao ritmo costumeiro. Mas ainda sim, permaneci dentro da minha própria escuridão, me trancando um pouco além daquela que me cercava.
Não sei quanto tempo se passou até aquela luz quase me cegar, preenchendo a escuridão de súbito. Meus olhos arderam, mesmo estando fechados, e eu fui forçado a me virar na direção oposta. Quando a intensidade da luz perdeu força, senti um calor invadir o espaço onde estava. Isso foi seguido de um barulho que, depois de alguns segundos, identifiquei como sendo um grunhido. Que ganhou força gradativamente.
Ainda receoso, fiz um esforço e me voltei para a direção de onde a luz veio. Com cautela, e medo talvez, abri os olhos novamente. O ambiente não estava claro como eu havia imaginado. Pelo menos, não com luz branca. A escuridão havia dado lugar a uma tonalidade vermelha, meio alaranjada. E eu me vi cercado por cinco pilares de mármore amarelo, dentro de um enorme salão. Que facilmente chegava aos 20 metros de altura. O teto era ornamentado de maneira a parecer uma galáxia. A única coisa que os diferenciava: era a cor. Porém, eu percebia a mesma profundidade de uma galáxia naquela imensidão vermelha.
Olhei novamente para os pilares e notei que todos possuíam desenhos “tribais” talhados em sua estrutura. O chão era liso e feito de enormes mármores laranja, com vãos bem fininhos separando uns dos outros.
No entanto, algo tirou a minha atenção daqueles pequenos detalhes. Meus olhos fitaram apreensivos uma espessa cortina de fumaça que começa a se formar a minha frente. Ela era vermelha e não possuía cheiro algum. Aquilo me deixava ainda mais preocupado. E quando eu vi um par de olhos ganhar forma dentro daquela fumaça, dei um passo atrás, demonstrando certo medo. Mas a manifestação não se deteve ali. A figura cresceu de forma colossal. Tanto em altura, quanto em largura. Eu engoli em seco o que vi. Meus olhos demoraram a crer no que viam. Mas eu bem sabia que era real. Minha experiência anterior me permitia à certeza. Aquilo não era meramente fruto da minha imaginação. A figura gigantesca me olhava impetuosa. Certa da presa fácil que eu era. Pelo menos era o que ela deveria estar pensando. Afinal, em tamanho pelo menos, ela tinha uma vantagem aterradora. E, além do mais, qualquer um teria ficado petrificado diante de sua imagem.
Cinco cabeças se moviam sibilantes. Elas eram sustentadas por uma massa corporal escamosa, com duas asas grandes e cartilaginosas saindo de suas costas e uma calda sacudindo silenciosamente por detrás daquele volume.
Não havia outra criatura em existência alguma que possuísse aquela aparência e aquela intensidade de presença. Apenas uma; era capaz de causar o estado em que eu me encontrava.
Tiamat!
A Deusa dos dragões Malignos. A mais temida de todas as feras.
Eu não podia ver um palmo a minha frente. O breu total era incomum. Não conseguia identificar que lugar era aquele. Não havia cheiro, barulho, nada preenchia o ambiente além da total escuridão.
Pouco a pouco fui tomado por uma angustia que crescia gradativamente. Ela tentava ganhar o status de pânico. Eu procurei controlá-la o máximo que pude. Mas ela lutava bravamente. Impondo a mesma intensidade que eu, porém, de maneira contrária. Lançando-me no abismo do desespero com tanta força, que eu não sabia mais se era capaz de suportar.
Olhei em todas as direções. Ansioso, nervoso, afoito.
Nada.
Aquilo era surreal. E o tempo parecia estar congelado. Eu não tinha a menor noção de onde estava, ou mesmo, de que horas eram e quanto tempo havia passado.
De repente, ouvi um barulho tímido, porém, acelerado se anunciar. Nervoso, olhei novamente em todas as direções. Nada.
Fechei os olhos para fugir dos engodos dos sentidos. Percebi que era meu coração que estava um pouco agitado. Apesar disso, mantive os olhos fechados mais algum tempo. As batidas voltaram ao ritmo costumeiro. Mas ainda sim, permaneci dentro da minha própria escuridão, me trancando um pouco além daquela que me cercava.
Não sei quanto tempo se passou até aquela luz quase me cegar, preenchendo a escuridão de súbito. Meus olhos arderam, mesmo estando fechados, e eu fui forçado a me virar na direção oposta. Quando a intensidade da luz perdeu força, senti um calor invadir o espaço onde estava. Isso foi seguido de um barulho que, depois de alguns segundos, identifiquei como sendo um grunhido. Que ganhou força gradativamente.
Ainda receoso, fiz um esforço e me voltei para a direção de onde a luz veio. Com cautela, e medo talvez, abri os olhos novamente. O ambiente não estava claro como eu havia imaginado. Pelo menos, não com luz branca. A escuridão havia dado lugar a uma tonalidade vermelha, meio alaranjada. E eu me vi cercado por cinco pilares de mármore amarelo, dentro de um enorme salão. Que facilmente chegava aos 20 metros de altura. O teto era ornamentado de maneira a parecer uma galáxia. A única coisa que os diferenciava: era a cor. Porém, eu percebia a mesma profundidade de uma galáxia naquela imensidão vermelha.
Olhei novamente para os pilares e notei que todos possuíam desenhos “tribais” talhados em sua estrutura. O chão era liso e feito de enormes mármores laranja, com vãos bem fininhos separando uns dos outros.
No entanto, algo tirou a minha atenção daqueles pequenos detalhes. Meus olhos fitaram apreensivos uma espessa cortina de fumaça que começa a se formar a minha frente. Ela era vermelha e não possuía cheiro algum. Aquilo me deixava ainda mais preocupado. E quando eu vi um par de olhos ganhar forma dentro daquela fumaça, dei um passo atrás, demonstrando certo medo. Mas a manifestação não se deteve ali. A figura cresceu de forma colossal. Tanto em altura, quanto em largura. Eu engoli em seco o que vi. Meus olhos demoraram a crer no que viam. Mas eu bem sabia que era real. Minha experiência anterior me permitia à certeza. Aquilo não era meramente fruto da minha imaginação. A figura gigantesca me olhava impetuosa. Certa da presa fácil que eu era. Pelo menos era o que ela deveria estar pensando. Afinal, em tamanho pelo menos, ela tinha uma vantagem aterradora. E, além do mais, qualquer um teria ficado petrificado diante de sua imagem.
Cinco cabeças se moviam sibilantes. Elas eram sustentadas por uma massa corporal escamosa, com duas asas grandes e cartilaginosas saindo de suas costas e uma calda sacudindo silenciosamente por detrás daquele volume.
Não havia outra criatura em existência alguma que possuísse aquela aparência e aquela intensidade de presença. Apenas uma; era capaz de causar o estado em que eu me encontrava.
Tiamat!
A Deusa dos dragões Malignos. A mais temida de todas as feras.
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